
No segundo caso, a imprensa noticiou que, se o senador da Paraíba votasse em Sarney para Presidência do Senado, ele seria recompensado com um desfecho rápido e favorável do seu caso. No Maranhão, é vida ou morte para Sarney.
O Procurador Eleitoral e o Relator são os mesmos em ambos os processos. Esses processos já causaram enorme constrangimento, aos dois, nos julgamentos no Tribunal. No caso da Paraíba foi o próprio Presidente que cobrou, sem reservas, do Relator, pelas informações falsas que levou e que acabaram por servir de base para o voto de todos os ministros, cassando o Governador. No do Maranhão, um indignado ministro Resek duvidou da seriedade do voto do Procurador Eleitoral, que conseguiu a proeza de estudar milhares de páginas do processo em 15 dias, com tal profundidade e atenção, ao ponto de dar seu voto com grande convicção pela cassação de Jackson, o que, de resto, foi copiado pelo relator. Vamos ver o que escreveu a Folha:
“A partir da terça-feira da próxima semana, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pode dar início a uma mudança inédita que, se levada a cabo, causará transformações no quadro político nacional: afastar, em um mesmo ano, 8 dos 27 governadores brasileiros. A transformação atingiria 30% das unidades da Federação. A decisão divide especialistas. Há os que defendem a chamada "lei da compra de votos" -legislação eleitoral que a partir de 1999 passou a punir com mais rigor o delito- como uma consolidação do aumento do combate à corrupção. E há aqueles que apontam nela a chance para tentativas abusivas de realizar um "terceiro turno", desprezando os resultados das urnas. [...]
“O advogado criminalista e ex-juiz do TRE-SP Eduardo Muylaert acredita que a Justiça eleitoral julga em tempo recorde. "É preciso respeitar os tempos de defesa. Afinal, a Justiça eleitoral não pode contrariar o voto popular", diz. Ele afirma ainda que os mandatários só continuam os mandatos durante os processos porque não houve motivo de afastamento.”
Vitor Marchetti, autor de "Poder Judiciário e Competição Política no Brasil", afirma que o grau de corrupção não aumentou, mas o acesso à Justiça pelos partidos cresceu.
As eleições se judicializaram. [...]
Acompanhando as decisões, percebe-se que muitas vezes elas não são técnicas, mas políticas. Nos TREs isso é muito mais sensível, porque as pressões de grupos locais são fortíssimas", diz Marchetti.
As defesas de todos os governadores negam as acusações. Os advogados são enfáticos ao afirmar que a legislação não representou avanço para o combate à corrupção eleitoral, mas abriu uma brecha para um "terceiro turno" nas disputas.
O ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) José Eduardo Alckmin, que atua na defesa de 3 dos 8 governadores -Cássio Cunha Lima (PB), Jackson Lago (MA) e Luiz Henrique (SC)-, classifica a situação de haver oito Estados com seus governadores ameaçados como "péssima".
Segundo ele, a atuação dos tribunais reforça uma vertente em que "o que não se conseguiu nas urnas é obtido nos tapetes dos tribunais", diz ele. Alckmin defende que o inconformismo é natural, mas que as contendas deveriam se encerrar após as eleições. "Hoje fica uma espada de Dâmocles [sobre os eleitos; a expressão significa risco iminente]", diz.
O advogado compara os casos atuais com decisões -bastante polêmicas- do passado, como as que inocentaram os ex-governadores Marconi Perillo (GO) e Joaquim Roriz (DF).
Para ele, a Justiça eleitoral sempre exigiu provas contundentes. "Agora, parece que se toma uma nova posição: na dúvida, cassa-se".
E é esse processo, que não apresenta uma única prova, e que é baseado em inverdades e mentiras, como será demonstrado nessa segunda fase do julgamento, é que Sarney quer se valer, para dar um golpe de estado judiciário como disse com muita propriedade o Ministro Francisco Resek. Este que, aliás, para não fugir à norma Sarneysista, foi duramente atacado em um memorial enviado ao Tribunal pelo Senador do Amapá, como está na imprensa. Mas a justiça vai prevalecer. A contratação por Sarney do ministro Sepúlveda Pertence só coloca luz no nervosismo e na avidez com que tenta colocar Roseana no governo, um cargo que o povo lhe negou no voto.
E assim, continua o seu calvário, recebendo pancada por todos os lados e comprometendo sua bendita biografia de estadista e intelectual. Sobre o assunto, a entrevista do íntegro Senador Jarbas Vasconcelos na Veja foi uma das mais demolidoras que eu já li e recomendo. Para quem não leu ela está transcrita em meu blog no endereço
Será que Sarney também vai dizer, como disse a renomada publicação The Economist em artigo que lhe confere a alcunha de "dinossauro", que Jackson Lago comprou o Senador Jarbas Vasconcelos, como dissera que o governador do Maranhão tinha comprado a mais influente revista do mundo para lhe bater?
Seria duplamente ridículo!
Um comentário:
Querido José Reinaldo,
Estou fora do Maranhão há 20 anos e gostaria de saber o real motivo do seu rompimento com o hoje presidente do Senado Federal,José Sarney, é possível o senhor me responder?
Poderia me responder talvez por um artigo? Obrigado. Aguardo seu retorno.
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