segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sarney: grupo do ex-presidente foi ultrapassado pela frente comandada por Jackson Lago e José Reinaldo no Maranhão

Correio (RICARDO BRITO E IZABELLE TORRES): As eleições municipais deste ano têm sido uma prova de fogo para caciques da política brasileira. A julgar pelos resultados das urnas, o ex-presidente e atual senador José Sarney (PMDB-AP) tem perdido influência política no seu estado de origem. O mesmo pode se dizer do grupo político do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), que tenta sobreviver à morte de seu principal líder.

Porém, outras lideranças como os ex-presidentes do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciaram à cadeira de chefe do Legislativo sob denúncias, saíram das urnas fortalecidas.
No Maranhão, a eleição municipal consolidou a redução do poder da família Sarney. A Frente de Libertação do Maranhão — o grupo liderado pelo ex-governador José Reinaldo (PSB) e formado por partidos como PSDB, PDT e PPS, todos de oposição ao grupo de José Sarney — conseguiu o comando de quase 80% das prefeituras do estado e ainda destituiu aliados do senador de cidades grandes e cobiçadas pelos políticos maranhenses, como Imperatriz. Os aliados dos Sarney também não conseguiram as prefeituras mais pleiteadas como Caxias e Bacabal.

A redução do poder do grupo do senador é atribuída principalmente ao trabalho do governador Jackson Lago (PDT) e de José Reinaldo para minimizar a influência da família que já comandou o estado. Em troca de convênios e parcerias com o governo estadual, prefeitos que eram aliados do grupo passaram para o lado de Lago ao longo dos últimos dois anos e conseguiram limitar os prefeitos apoiados pelos Sarney a cidades de menor influência.
A perda de poder do ex-presidente pode ser constatada numericamente: o PMDB de Sarney elegeu apenas 16 prefeitos na sua terra natal este ano, enquanto em 2004 foram eleitos 41 peemedebistas e, no ano 2000, 51. O mesmo vale para o aumento de influência de Jackson Lago, que terá em 30% dos 217 municípios do estado prefeitos do seu partido. O PDT foi vencedor em 64 municípios — quatro vezes mais do que o partido de Sarney.

A influência política que o chamado carlismo tinha na Bahia há mais de duas décadas foi bastante reduzida nestas eleições. O Democratas, partido do grupo capitaneado por ACM, falecido no ano passado, conquistou apenas 44 prefeituras na atual eleição. Uma queda de 70% no número de municípios para os quais teve prefeitos eleitos há quatro anos, 153. Nas eleições de 2000 e 2004, os candidatos a prefeito do partido de ACM detinham sozinhos cerca de 30% dos votos do estado. Na disputa deste ano, o índice caiu para 14% — uma perda de 1 milhão de votos.
O caso mais visível de perda de poder do carlismo ocorreu em Salvador. Tido como herdeiro político do clã, o deputado ACM Neto concorreu à prefeitura da capital baiana, mas ficou fora do segundo turno.

A disputa se dará entre as duas novas forças políticas do estado: o PT do governador Jaques Wagner, com o deputado Walter Pinheiro, contra o PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, capitaneado pelo candidato à reeleição João Henrique.
Enquanto alguns caciques amargam a perda de influência em seus estados e ao mesmo tempo gozam de prestígio nacional — como é o caso de José Sarney, que pode presidir o Senado —, outros, como Renan Calheiros, que ainda tenta recuperar seu espaço no cenário político nacional, conseguiram eleger mais aliados do que em 2004. Influência Em Alagoas, o PMDB, comandado pelo ex-presidente do Senado, fez 20 dos 37 candidatos lançados para a disputa nas prefeituras. Em 2004, o partido elegeu 17 prefeitos. O resultado da eleição do último dia 6 animou o grupo de Renan, que garantiu sua influência em cidades importantes no estado, como Arapiraca, São Miguel dos Campos e Coruripe.

Além disso, um filho do peemedebista foi reeleito em Murici. Candidatos de outros partidos apoiados pelo senador também venceram em cidades influentes como Palmeira dos Índios e União dos Palmares.
Aliados do senador alagoano têm comemorado o resultado da eleição, tida como um teste do prestígio de Renan, que enfrentou no ano passado dois processos por quebra de decoro parlamentar e teve que renunciar à Presidência da Casa. Renan chegou a ser vaiado em um evento no município de Delmiro Gouveia na época. No Pará, o ex-presidente do Senado e hoje deputado Jader Barbalho tem conseguido recuperar seu prestígio político abalado desde que teve que renunciar ao mandato em 2001, para não ser cassado por uma série de denúncias de corrupção.

Em 2000, o PMDB paraense de Jader, àquela época proeminente senador, conquistara 35 prefeituras. Quatro anos depois, quando era um deputado em busca de retomar o terreno político abalado após a renúncia, sua legenda fez apenas 23 prefeituras. Na atual eleição, seu partido já conquistou 38 prefeituras no estado e seu primo, o ex-deputado José Priante, disputa no próximo domingo a Prefeitura de Belém contra o candidato à reeleição, Duciomar Costa (PTB).


Comentário do Blog: Todo o Brasil está vendo que Sarney hoje eleitoralmente tem pouca importância no estado. Na verdade associar alguma candidatura ao nome Sarney é derrota certa. É mortal. Os resultados estão aí e não deixam ninguém mentir. E ainda querem através de um processo espúrio tirar o Jackson do governo. Chega, oligarquia.

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