terça-feira, 9 de janeiro de 2018

UM PLANO PARA O ESTADO

Eu sempre acreditei que o Maranhão precisa de um Plano de Desenvolvimento que permaneça sendo implementado de maneira permanente, independentemente de governos do momento. 

Tal plano deveria ser elaborado após ampla discussão e aprovado na Assembleia como projeto permanente de Estado, entrando no juramento dos governadores ao tomar posse perante àquela Casa.

Isso tiraria o caráter episódico dos chamados planos de governo, evitando o que se repete há anos, pois a cada nova gestão projetos são abandonados e novos são postos no lugar com resultados deploráveis, já que sempre estamos recomeçando. 

Os países asiáticos, que vêm experimentando um crescimento vertiginoso, conseguiram deixar a pobreza para trás e alguns se tornaram os países que mais crescem no mundo e isto se de programas permanentes, com esse sentido.

Por que isso não se repetiria aqui? Se os projetos forem bons e estruturantes, eu, por exemplo, não tenho dúvidas de que dariam certo.

Esses projetos teriam que atacar as causas de nossa secular pobreza. Teriam que inverter essa trajetória e nos tirar do terrível título de estado campeão no número de famílias que vivem do Bolsa Família ou outros benefícios sociais. E sem, dúvidas, criar atividades de massa que sejam permanentes e tragam empregos em larga escala.

Eu me arrisco a propor dois desses projetos permanentes que nos ajudariam a sair desse atoleiro. 

A primeira dessas sugestões é na área da educação, pois foi assim que os países mais desenvolvidos do mundo conseguiram deixar a pobreza e a extrema pobreza para trás. Existe hoje quase um consenso sobre a importância da educação de qualidade como a principal arma de combate à pobreza e de estímulo ao desenvolvimento.

Esse programa seguiria os ensinamentos do professor da Universidade de Chicago e Prêmio Nobel de Economia, o economista James Heckman, criador de métodos científicos para avaliar a eficácia de programas sociais, um homem reverenciado tanto na sua área de origem, a economia, como na educação. 

E o que ele prega? Que a ciência já juntou evidências de que essa atenção precisa acontecer com o bebê ainda na barriga da mãe, pois a probabilidade de ele vir ater uma vida saudável se multiplica quando a mãe é disciplinada ainda no período pré-natal. Até os 5,6 anos, a criança aprende em um ritmo espantoso e isso será valioso para o resto da vida. O que ocorre é que as famílias pobres não recebem orientação básica sobre como enfrentar o desafio de criar um bebê. Além disso, faltam boas creches e pré-escolas e, sobretudo, o empurrão na hora certa. 

O grande impacto positivo vem de programas que conseguem envolver famílias pobres, creches e pré-escolas, centros de saúde e outros órgãos que, integrados, canalizam incentivos – não só materiais - para a criança.

Aquelas que conseguem dispor dessa ajuda ficam resistentes à violência e chegam ao ensino fundamental em pé de igualdade com crianças de famílias abastadas que se preparam convenientemente para as etapas posteriores de sua formação educacional para a vida futura. 

Esse programa bem feito e eficazmente avaliado mudaria o nosso estado, formando novas gerações de jovens, diminuindo os índices de pobreza e melhorando sua produtividade.

Uma outra sugestão seria um programa de Estado que envolvesse Cultura, Turismo e Emprego. Seria um programa de massa que, ao mostrar a vasta cultura popular do Maranhão e um esforço eficiente de atração de turistas, no Brasil e no mundo, traria renda para vastas camadas da população. Se um programa desses passar a ser permanente, todos ganharão: desde os segmentos existentes de hotéis a motoristas de taxi, vans, ônibus de turismo, agentes de viagens, restaurantes, supermercados, artistas de diversas brincadeiras, cantores, casas de shows, shoppings, produtores e lojas de artesanato, músicos, guias bilíngues, praias, bares, enfim, uma infinidade de setores de pequenos empresários, o que traria renda e investimentos para o estado.

Estas seriam as minhas sugestões. E as suas quais seriam?
Dessa forma, estaríamos preparando as bases permanentes para um Maranhão muito melhor no futuro. 

Dentro de poucos anos veríamos uma grande diferença em nosso estado!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

UM DEBATE MAIS HONESTO


A passagem de ano, sai o ano velho e entra o ano novo, é uma época de festas, de férias coletivas, e também de repouso, passeios e reflexões.
Também tenho me dedicado a minhas reflexões, eu, que vivo no cerne da política, vejo que a preocupação é geral na nossa bancada de deputados federais e na própria Câmara. Ali, em ambiente radicalizado, mesmo antes do impeachment, mas que se exacerbou com ele, ainda se faz o diálogo possível. Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, é um expert em sentir esse clima e vai conduzindo as votações de acordo com o seu feeling das possibilidades de aprovação ou não.
O governo federal, com a excelente condução da economia tocada por Henrique Meireles, que, com seu domínio técnico e larga experiência internacional e nacional, serve a governos com pautas distintas, mas sempre mantendo firme um rumo, já que equilíbrio fiscal não é assunto de esquerda e nem de direita. Sim, porque equilíbrio fiscal é a base do crescimento econômico, dos investimentos e do emprego, como bem pude presenciar na reunião dos BRICS, -Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ali, a preocupação de todos é essa, é o crescimento econômico, o emprego, o comércio e o intercâmbio educacional, entre outros.
Enquanto isso, no Brasil, o presidente, a meu ver, acertou na nomeação de seus dois novos ministros. O governo precisa de um bom operador e colocou o deputado Marun, gaúcho que fez a vida política em Mato Grosso, muito atacado por sua lealdade ao que acredita, corajoso, mas, até hoje segue ao largo de qualquer denúncia de condutas não republicanas. Creio que fará um bom trabalho, adequado ao momento em que se vive, em que a arma política principal é a intimidação e não o diálogo, fundamental para formar o entendimento seja lá qual for ele.
O outro é o anúncio da nomeação do deputado Pedro Fernandes para Ministro do Trabalho, pelo seu partido, o PTB. Pedro é um excelente deputado, eficiente, conhecedor como poucos da Câmara, sério, que sempre foi um excelente gestor em todas as funções que ocupou ao longo de sua vida política. Creio que ele pode ajudar muito o Brasil e o Maranhão. Conhece profundamente a realidade maranhense, as nossas dificuldades e peculiaridades e, assim, pode levar esse conhecimento para pautar suas ações no ministério.
Seu filho, Pedro Lucas, que, com a sua pouca idade, já conhece a politica como poucos, deverá ser candidato nas próximas eleições em substituição ao pai.
Falo agora sobre a reforma da previdência. Outro dia encontrei o governador de Sergipe, Jackson Barreto, e, dada a minha amizade com ele, perguntei: Governador, o seu estado está com o sistema previdenciário equilibrado? Ele me respondeu: “Não, nenhum estado está. Esse déficit é crescente e vai matar a todos nós”. Prossegui: “e por que deixam o presidente sozinho nessa luta?”, e ele: “Porque este é um assunto que a população ainda não entendeu e a nossa parte virá depois, após a aprovação pelo Congresso. Teremos seis meses para aderir ou não”.
Porém, não creio que consigamos votar essa matéria em pleno período eleitoral, já disse e repito. Penso que ficará para o novo presidente essa missão, com todos os prejuízos que poderemos ter na recuperação da economia já em curso.
Esse assunto deverá ser o cerne da campanha presidencial, assim como fez Macron na França e Macri na Argentina. Esse debate terá que acontecer, pois passar por cima desse assunto como se ele não tivesse importância é enganar a população.
Eis o porquê do título deste artigo: um debate mais honesto.