terça-feira, 19 de setembro de 2017

EMBRAER: EMPRESA DE PRIMEIRO MUNDO



Tive acesso recentemente a uma pesquisa que um amigo realizou em São Luís e nela havia uma pergunta sobre o Centro de Lançamento de Alcântara - CLA. Fiquei impressionado com o desconhecimento generalizado das pessoas sobre aquele  Centro. 

Repasso agora o que foi dito sobre o CLA, mas, em resumo, consideram a base inútil e um desperdício de dinheiro. Vejam: “acho que essa base é um elefante branco que fizeram aqui no Maranhão. Não serve para nada”; “eu tô (sic) há 47 anos aqui, meu pai é de Alcântara e eu mesmo não conheço lá”. 

Sem dúvidas cabe ao governo federal a culpa por essa desinformação, pois não à população não é dada a conhecer a enorme importância do programa espacial brasileiro para o nosso desenvolvimento e para a vinda da indústria espacial brasileira para o Maranhão. 

Sobre o ITA há uma compreensão melhor e alguns disseram que será “ótimo”, mas acham que as pessoas acabam não se preparando para passar.

Pois bem, a convite do Ministério da Aeronáutica e da Embraer estive na quinta-feira da semana passada em Gavião Peixoto, município paulista sede da fábrica da Embraer Defesa, uma moderníssima fábrica de aviões para uso militar, como o KC-390 e o Gripen. Este último é o moderníssimo avião de caça que o Brasil comprou da Suécia e que será montado ali com a transferência de tecnologia. 

Essa é a segunda fábrica da Embraer, a outra fica em São José dos Campos e é a mais antiga. Ali são fabricados os aviões das linhas comercial e executiva. 

Tanto São José dos Campos quanto Gavião Peixoto eram municípios pobres de São Paulo quando o Brigadeiro Casemiro Montenegro iniciou, em 1946, sua difícil luta para fundar o Instituto Tecnológico da Aeronáutica-ITA e o Centro Técnico Aeroespacial-CTA, criado em 1950, com o objetivo maior de criar a indústria aeronáutica brasileira. 

A Embraer foi fundada em 1969 como uma sociedade de economia mista vinculada ao Ministério da Aeronáutica. A empresa produziu o avião Bandeirantes, o Xingu, o Brasília e o AMX com a Itália, um caça de combate que ajudou muito o país a absorver tecnologia. Como dependia dos recursos do governo, a empresa estava à beira da insolvência em 1994, na esteira das sucessivas crises econômicas do período. Foi quando o governo Itamar Franco resolveu privatizá-la, o que permitiu com que se tornasse a terceira maior empresa fabricante de aviões do mundo. Isso  transformou e enriqueceu São José dos Campos e Gavião Peixoto, criando um polo tecnológico e de inovação de importância mundial em São Paulo.

Hoje a empresa é uma gigante empresarial que faturou ano passado 6 bilhões de dólares, sendo 55 por cento na Divisão de jatos comerciais, 15 por cento na Divisão de Defesa e 30 por cento na executiva. Ela gasta 450 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento, emprega 18,5 mil e 185 mil pessoas, em posições diretas e indiretas, respectivamente. 

Além disso, ela fundou o Instituto Embraer, que possui grau de excelência em ensino e 100 por cento de seus alunos são aprovados em vestibulares, 80 por cento no ITA, USP e outras escolas desse nível. Oitocentos alunos são apoiados pelo Fundo de Bolsas durante a universidade e todos eles fazem questão de devolver os recursos recebidos para dar a oportunidade a novos jovens. Considerando apenas a área de pesquisa e desenvolvimento, a Embraer tem 5,5 mil pessoas trabalhando.

É um orgulho para o Brasil o desenvolvimento de um avião como o KC-390 pela empresa. Um avião de múltiplo uso, principalmente na área militar, um gigante tecnológico, capaz de carregar tanques, helicópteros, tropas paraquedistas, evacuar áreas conflagradas, prestar socorro em situações de calamidades, atuar em incêndios florestais em substituição ao lendário avião Hércules. Isso sem contar que a aeronave é um jato puro, o que permite maiores velocidades de deslocamento.

Dois desses aviões estão percorrendo o mundo e enfrentando todo o tipo de variação climática, o que é necessário para sua homologação. Está prevista que isso ocorra no primeiro semestre de 2018, para que se inicie sua venda comercial. A Embraer espera vender 6 bilhões de dólares, só com esse avião. É impressionante ver sua linha de montagem em Gavião Peixoto.

É essa mesma fábrica que montará o Gripen, caça de última geração em desenvolvimento conjunto com a Suécia, do qual falei acima, e que trará importantíssima transferência de tecnologia com indiscutível benefício para o futuro da indústria aeronáutica brasileira.

Isso sem contar o ITA, que também funciona ali e, como todos sabem, é o nosso maior centro de excelência da área das ciências aeronáuticas. 

Então, amigos,  vejam que o que aconteceu em São Paulo poderá acontecer aqui. Não com a indústria aeronáutica, mas com a indústria espacial, com seu mercado de 330 bilhões de dólares por ano. 

Para isso temos como trunfo o Centro de Lançamento de Alcântara, que será transformado em Centro Espacial Brasileiro. Teremos o “nosso” em parceria com a UFMA e a UEMA. 

Com isso poderemos trazer para cá parte importante das pesquisas espaciais e, sem dúvidas, a indústria ligada ao programa espacial brasileiro. Poderemos trazer também a Embraer Defesa e sua empresa de satélites a Visiona, como bem registrou o ministro da Defesa, Raul Jungmann. 

Enfim, são imensas as possibilidades que temos com o desenvolvimento do programa espacial brasileiro, que é urgente para o país e a nossa população.

Temos que dar valor e lutar pelo que é nosso, pois só assim atingiremos um novo patamar de desenvolvimento.   

terça-feira, 12 de setembro de 2017

CHINA, BRICS, MARANHÃO E EMPREGOS


O motivo principal de minha ida à China foi convencer os chineses a investir no Maranhão. E investir em um projeto de suma importância, pois possui enorme potencial de criar milhares de empregos novos. Fui tratar, como já havia feito antes no Irã e na Índia, das parcerias empresariais para a realização das iniciativas voltadas para a concretização da refinaria e do polo petroquímico em nosso estado.
A primeira vez em que estive em Pequim foi em 1992. A China estava no começo de seu assombroso desenvolvimento. Havia uma febre de crescimento que acabava por misturar sinais evidentes de riqueza, como arranha-céus, hotéis, restaurantes e automóveis de luxo, com famílias morando em tendas nas calçadas e procurando vender montanhas de melancias.
A China ainda tinha muitos pobres  e grandes desafios por resolver. Um dos que mais preocupavam os seus dirigentes era o êxodo rural para as cidades que estavam experimentando grande desenvolvimento. Planejaram criar cinturões de agroindústrias na área rural, possibilitando a criação de empregos para diminuir a ameaça de uma grande migração desordenada para as cidades. Sim, porque elas não tinham como receber tanta gente, já que estamos falando de milhões de pessoas sem quase nenhuma habilitação para essas novas oportunidades nas cidades.
O trânsito era caótico, com uma mistura desorganizada entre bicicletas, riquixás, automóveis e caminhões que eram dirigidos sem obedecer as regras de tráfego de veículos. As bicicletas, aos milhares, levavam mobílias e a família inteira num equilibrismo improvável.
Hoje Pequim é uma cidade moderna, organizada, limpa, com trânsito controlado, rica e bonita. Há única coisa inalterada nesses 25 anos -  é a terrível poluição ainda por resolver.
Estive lá a convite do presidente Temer, que foi para a reunião dos BRICS, formado pelas iniciais dos nomes dos quatro países formadores: Brasil, Rússia, índia, China e mais a África do Sul, admitida depois.
A agenda presidencial previa encontro com as três maiores autoridades da China e a assinatura de 22 acordos de cooperação entre os dois países. É preciso contextualizar o grande interesse que o Brasil representa tanto para o governo quanto para os empresários chineses. E paralelamente aconteceu um grande encontro entre ministros de diversas áreas e empresários chineses para discutir oportunidades de investimento em nosso país. Esse encontro foi organizado pela APEX do Ministério das Relações Exteriores e foi um sucesso.
Valeu muito essa minha ida à China pela quarta vez. Entre os 22 atos assinados pelos presidentes, estava um terminal portuário em São Luís, privado, um investimento da W Torre com apoio financeiro da China. Além disso, durante a reunião da APEX foi assinado um acordo para investimento da CBSteel, empresa siderúrgica chinesa e o Governo do Maranhão para a implantação de uma siderúrgica no estado, ao custo de cinco bilhões de dólares. Esse investimento já tinha feito parte de atos assinados pelos dois governos durante a primeira visita de Temer àquele país como presidente.
Eu fui à China com o intuito de me encontrar com o presidente da Sinopec Engineering (Group) Co. Ltd., Senhor Xiang Wenwu, a fim de apresentar os projetos da refinaria e do polo petroquímico de Bacabeira. A Sinopec é uma das maiores empresas de engenharia do mundo, estatal, principalmente habilitada nas áreas de refinarias de petróleo e petroquímicos. Essa reunião aconteceu na tarde de sexta-feira em sua sede, com a presença do sr. Xiang, além do Gerente Geral, Sr. Chen Xiaodong e assessores. Ele já conhecia o projeto, que é muito bom técnica e economicamente, e foi muito receptivo. Houve primeiro uma muito bem fundamentada informação técnica dessa iniciativa por parte dos empresários que nos acompanharam, com uma troca de ideias com a Sinopec, que foi seguida de inserções - minha e de Brandão - mostrando a completa segurança jurídica tanto da parte do governo estadual quanto do federal para os investidores. Quando foi a vez do presidente da empresa falar, ele começou dizendo que não havia momento melhor para discutir a refinaria do Maranhão do que aquele momento. E continuou elogiando o projeto e sugerindo logo a assinatura de Documento de Entendimento entre os empresários e a Sinopec. Esse documento vai estabelecer o futuro contrato a ser assinado entre as partes, definindo os padrões técnicos e financeiros do empreendimento. A presença do Irã facilita para os chineses, parceiros de longa data, a viabilização do projeto, que está orçado em 28 bilhões de dólares. Esse trabalho vai ser acompanhado de perto pelos empresários e por nós, tal a sua importância para o Maranhão.
Para ganhar tempo, a ideia aceita pelos chineses  é aproveitar um projeto similar já pronto, adaptá-lo para nossas condições e avançar rapidamente. A Sinopec já realizou 28 projetos de refinaria em todo o mundo e é especializada no assunto.
Saindo de lá, colocamos o presidente Temer e o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, que esteve conosco no Irã e na Índia (e conhece o projeto) a par das nossas tratativas com a Sinopec.
Ficou então decidido que o ministro sairia da China para Teerã e colocaria os iranianos a par do que estava sendo decidido, a fim de ganharmos tempo. E assim foi feito.
Para concluir, participei em Xiamen, também na China, do encontro dos BRICS, evento que tem pauta permanente de união para o desenvolvimento dos seus países membros e que agora criou o Novo Banco de Desenvolvimento, um forte instrumento de financiamento para apoiar os projetos aprovados.
Isso sem contar que o banco possui também um conselho empresarial que reúne empresários de todos esses países, e que só no Brasil reúne cerca de 200 empresários e tem como presidente pelo lado brasileiro o presidente da Embraer, presente no encontro.
Para termos ideia do que representa essa união, vamos mostrar os números que giram em torno dos BRICS. População: 3,107 trilhões de pessoas, cerca de 40% da população mundial. PIB: 16,89 trilhões de dólares, quase do tamanho do PIB dos EUA e cerca de 30% do PIB mundial. Só o comércio bilateral desses países com a China atinge 218,5 bilhões de dólares. Ela é hoje o maior parceiro comercial do Brasil com 67,7 bilhões de dólares em 2016.
Então,  o maior parceiro para o nosso projeto é sem dúvidas a China. Creio que a viagem atingiu os objetivos pretendidos. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A VIDA COMO ELA É


A falta de diálogo entre os grupos políticos dificulta o entendimento do que é necessário fazer para que o Brasil possa superar os seus grandes problemas atuais. Sem entendimento, tudo vira briga política e nesse clima, sem diálogo entre as partes, com cada grupo tentando se sobrepor ao outro, tudo fica difícil de resolver. E agora, mais do que nunca, precisamos de entendimento para superar a crise.
Temer não veio para ficar, sairá com as eleições de 2018. Não tem e nem poderia ter planos para ficar anos e anos no governo. Tem que ser encarado assim. Vejam o caso da França. O país mostra o caminho, surge uma liderança nova, do nada, conciliador, e vai mostrando o rumo a um país envolto em gravíssimos problemas. Por que não pode ser assim aqui também? Quem seria, não sei, mas tem muita gente de talento, nova, capaz de surpreender. Flávio Dino, Welington Silva, governador do Piauí, são dois, aqui mesmo da região. Como também o prefeito de Porto Alegre e outros, já experientes como gestores, que poderiam renovar o país. Exagero? Basta ver a história de Emmanuel Macron na França para não se surpreender. Quem esperava o ressurgimento daquela nação tão rápido?
Só para ilustrar nossa falta de entendimento, vamos nos lembrar de Miguel Arraes, mito da esquerda, fundador do PSB. Digo isso porque, quando Fernando Bezerra, ministro das Minas e Energia e membro do PSB, anunciou que proporá a venda das ações do governo na Eletrobrás pulverizadas na Bolsa, mantendo uma Golden Sharing, ou seja, uma ação nas mãos do governo que impediria qualquer ação da empresa contraria aos interesses nacionais, foi um escarcéu. Ou seja, bastou esse anúncio, para que eu ouvisse de membros antigos do PSB, respeitáveis companheiros, que Miguel Arraes deveria estar se contorcendo no túmulo com essa notícia.
Só que a história nos mostra o contrário. Miguel Arraes era de esquerda e não há dúvidas quanto a isso, mas era um homem experiente, com visão de mundo, com as responsabilidades de quem teve que governar Pernambuco. Arraes fez exatamente o que Fernando está fazendo em escalas diferentes.
Primeiro, quando esteve em pauta a privatização da CHESF  durante o governo Fernando Henrique, em 2000, ele publicou um artigo na Folha de São Paulo, pode ser achado no Google, em que conclui: “Vender a CHESF agora pode significar devolver os destinos do Nordeste, que sufocaram a experiência pioneira do empresário nordestino Delmiro Gouveia, no início do século. E impor novo bloqueio econômico à região. É contra isso que temos que lutar”.
E tem mais, como governador, enviou à Assembleia, no dia 17 de fevereiro de 1998, a autorização para a privatização da Companhia Energética de Pernambuco - CELPE, e autorização ao BNDES para, com mandato procuratório em nome do Estado de Pernambuco, promover a desestatização daquela empresa. Assinam a mensagem o governador Miguel Arraes e o Secretário da Fazenda Eduardo Campos. Só para esclarecer, a Eletrobrás valia 67 bilhões em 2002 e 9 bilhões em 2016. Considerando os reajustes aos dias atuais, verifica-se que ela perdeu 228 bilhões de reais em valor de mercado. E não tem mais capacidade de investimento!
Porém, quem vai escutar a verdade, se todos só querem gritar e ter razão?
E agora, Paulo Câmara, governador de Pernambuco, também do PSB, está vendendo a Copergás, companhia estatal de gás daquele estado. E aí?
Mudando de assunto, o governo federal, depois de muita luta, que envolveu a bancada maranhense na Câmara de Deputados, cedeu e resolveu cobrar imposto de importação sobre a importação de álcool de milho importado dos EUA, o mesmo que estava entrando sem cobrança de impostos no Brasil. Isso estava sufocando a indústria nacional, inclusive a do Maranhão, inclusive ameaçando muitos empregos e incitando o fechando de usinas aqui. O governo vai cobrar a alíquota de 20 por cento na importação, o que equilibrará as coisas, mantendo os empregos e a indústria nordestina em funcionamento.
E, para encerrar, informo que viajarei nesta terça-feira para a China, integrando a comitiva que acompanha o presidente Temer. O motivo principal da minha viagem é encontrar com grandes empresários chineses que querem investir na nossa refinaria e no polo petroquímico, juntamente com o Irã.
Os indianos, por motivos outros, não econômicos e nem financeiros, acabaram se retraindo e deverão ser substituídos por chineses. Os iranianos continuam firmes, desejosos de fortalecer laços econômicos e comerciais com o Brasil.
E que festa religiosa (homenagem ao Divino), bonita em Matões! Parabéns ao prefeito Ferdinando e a família de Rubens Pereira, grandes incentivadores dessa celebração! 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

MINHA IDEOLOGIA É O MARANHÃO


Candidatei-me a deputado federal com um pensamento só: colocar como prioridade do meu trabalho a iniciativa de trazer para o Maranhão projetos estruturantes tão fortes que pudessem servir de alavancas poderosas para nosso desenvolvimento econômico e social.
Para que todos possam entender, na Câmara nós somos 513 deputados federais, não é fácil para ninguém. A bancada do Maranhão é composta por 18 deputados federais, somos apenas 3,5 por cento do total de parlamentares dali. Isto é algo que, sem dúvidas, aumenta a nossa dificuldade, somos poucos. Ali quem pesa são as maiorias e, para conseguir fazer o que me dispus, contei com o grande número de amigos que tenho dentro e fora do parlamento e do governo federal. Além disso, contei também com meu conhecimento de como funciona o poder em Brasília, conhecimento esse conseguido quando fui ministro e governador e durante as lutas que travei.
Muita gente é movida por ideologias - esquerda e direita - e eu tenho a convicção de que o povo não se interessa por nenhuma ideologia, mas sim por aquilo que lhe permite alcançar um nível de vida melhor. E estão certos. Muitos criticam alguns votos meus na Câmara, essas críticas são basicamente ideológicas, mas eu só poderia conseguir fazer o que já fiz não me deixando dominar por nenhuma ideologia e sim pelo interesse nacional.
Se eu virasse as costas para o governo federal, votando sistematicamente contra tudo, como muitos fizeram, eu não conseguiria fazer nada em benefício do povo maranhense. Mas, repito, só votei naquilo que acreditei ser melhor para o país.
Contudo, a reforma da previdência é um caso diferente. Sei que é absolutamente necessária, do contrário, dentro de pouco tempo não haverá como pagar os aposentados, como já começa a acontecer em alguns estados. Mas acredito que nesse caso é melhor que ela seja discutida pelos candidatos com os eleitores na próxima campanha, pois isso permitirá ao eleito - ao escolhido dessa maneira - aprovar um assunto polêmico, mas amplamente discutido com os eleitores. Isto aconteceu recentemente na França, onde o novo presidente, Emmanuel Macron, debateu sobre o que vai fazer e venceu a disputa com o eleitor conhecendo suas propostas. Portanto, adquiriu toda a autoridade e legitimidade para aprová-la.
A atual bancada federal do Maranhão trabalha com uma visão que antes não existia entre nós. Une-se pelos grandes projetos de interesse do estado e da população. E isso já permitiu grandes vitórias, como aconteceu na semana passada em Alcântara. Vamos aos fatos:
Sem grandes fanfarras, a última terça-feira passou a fazer parte da história do nosso estado. O palco escolhido foi o Centro de Lançamento de Alcântara e os protagonistas foram o próprio CLA, o ITA e a Universidade Federal do Maranhão. Nessa reunião, histórica, assinamos (eu como testemunha) o acordo que define a cooperação entre as três instituições para o funcionamento do curso de Engenharia Aeroespacial, o único no Brasil com especialização em centros de lançamento. Assinaram o documento o Reitor do ITA, Anderson Correa; a reitora da UFMA, Nair Portela; o Comandante do CLA, Coronel Luciano; o Diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica, Brigadeiro Amaral.
Por que esse documento é histórico? Alcântara pode repetir o que aconteceu com São José dos Campos e se tornar um polo tecnológico e industrial de importância mundial. Sim, porque Alcântara sediará o Centro Espacial Brasileiro, que será um dos mais importantes do mundo, devido a sua localização privilegiada para essa atividade.
Eu falei isso para o presidente Temer, pois um dos assuntos pendentes é a solução dos problemas com as comunidades quilombolas. Então esse assunto já tem solução proposta pela Advocacia Geral da União - AGU, que dirigiu um grupo de trabalho para esse fim. O documento a ser trabalhado estava na Casa Civil desde 2016 sem andamento. Com o meu pedido, o documento saiu das gavetas e começa a ser discutido.
Além disso, há uma outra frente de trabalho que diz respeito ao acordo internacional de salvaguardas tecnológicas. Este é atualmente conduzido pelo Ministério de Relações Exteriores.
O CLA, para se transformar em Centro Espacial, precisa de mais 8.300 hectares já previstos no Decreto de Utilidade Pública da União, assinado na década de 80. Contudo, para ser efetivo, precisa resolver a situação de algumas comunidades quilombolas ainda presentes ali. Isso é muito importante para permitir a criação de mais três sítios de lançamento na área e passar a comercializar esses espaços para outros países e empresas. Esses recursos irão cobrir as despesas do Centro e ajudar a financiar o programa espacial brasileiro, hoje tão carente de recursos.
A presença de mão de obra altamente especializada em Alcântara permitirá trazer grande parte dos laboratórios e dos centros de pesquisa do setor para cá. Na esteira desses empreendimentos, certamente virá um parque industrial especializado que mudará Alcântara, mudará o Maranhão e ajudará o desenvolvimento brasileiro em um setor que movimenta 330 bilhões de dólares por ano.
Por sua importância, a assinatura do termo de cooperação entre ITA, CLA e UFMA representa um marco para o desenvolvimento do nosso estado.
O curso se iniciará no ano que vem e já convidei o governador Flávio Dino para proferir a aula inaugural, considerando sua inestimável contribuição para esse desenlace.
As demais aulas serão ministradas em São Luís, Alcântara e em São José dos Campos (nas dependências do ITA) por pessoal altamente especializado tanto do CLA como da UFMA e do próprio ITA. Esperamos que o curso seja um dos melhores do mundo!
Pois bem, esse é resultado do meu trabalho e me orgulho dele. E só poderia fazer isso com o apoio do governo federal e do governo estadual, o que nunca me faltou.
E não foi só isso: Com essa forma de proceder, consigo ajudar os prefeitos a atender comunidades, a trazer obras e recursos para suas cidades e a contribuir diariamente para a melhoria de vida dos maranhenses.
Citarei um exemplo: a Avenida Piauí, em Timon, sonho de sua população, que vai mudar a cidade, foi um trabalho que levou mais de um ano, mas os recursos estão empenhados e as obras começarão em breve.

Para encerrar, quero cumprimentar o governador Flávio Dino pelo excelente trabalho que vem fazendo. Ele atende as expectativas do povo do Maranhão e este certamente quer vê-lo mais tempo no governo!  

terça-feira, 8 de agosto de 2017

CONTA OUTRA



A reunião de quarta-feira última que decidiu se a Câmara daria o aval para que o presidente Temer fosse processado alvoroçou os fazedores de “pós-verdade” aqui no Maranhão. Estes partiram para queimar todos os que consideram adversários, certamente a serviço de causas inconfessáveis, remunerados ou não.

Na verdade, foi a reunião dessa gravidade - tirar ou não um presidente do exercício do cargo - mais calma e sem tensão da qual jamais participara. E estive presente nas três vezes em que eventos dessa natureza ocorreram: os impeachments de Collor, Dilma e o aval para processar Temer.

Dentro da Câmara não havia nenhum grupo de pressão atuando, nem nas galerias, tampouco na esplanada. Não apareceu um único petista naquele imenso espaço em frente ao Congresso. Ninguém. Esquisito, não?

É claro que no recinto da sessão, a oposição bradava contra Temer. Fez o que devia fazer, ou seja, política. 

Mas estranho ainda, não? Porém, uma entrevista de Luciana Genro, filha de Tasso Genro, grão-duque petista, deu luz ao que acontecia: ela declarou que Lula preferia manter Temer no poder, sangrando (nas palavras dela) pois assim seria mais fácil derrotá-lo no próximo ano.

Lula é pragmático. A decisão de quarta-feira não era Temer contra ele. Só aqui no Maranhão alguns espertos tentaram fazer essa vinculação em seu próprio benefícios. 

Lula sabe que, se o presidente saísse, Rodrigo Maia assumiria: um político novo, experiente, competente, uma incógnita. Melhor deixar Temer. 

Se vai ser assim mesmo, não sei. Mas é o que parece para muitos...

Foi então que inventaram que os deputados foram comprados para votar a favor de Temer. A Folha de São Paulo de sexta-feira passada mostra a verdade. As emendas dos parlamentares, desde o governo de Dilma, são impositivas. É obrigação liberar, não existe favor nenhum. E os dados? Na média cada parlamentar que votou em Temer obteve a liberação de 3,4 milhões de reais. Já os contrários tiveram 3,2 milhões. A comunista Alice Portugal, por exemplo, que em seu voto denunciou a compra indiscriminada de deputados, recebeu – pasmem – 10,5 milhões de reais oriundos das mesmas emendas. Compra de deputados destrambelhada essa, não?

E tem mais: é possível afirmar que - em média - petistas receberam mais do que os deputados do PSDB que votaram contra Temer.

Eu conheço Lula melhor que muitos petistas daqui do estado, pois convivi muito com ele quando eu governava o Maranhão e ele era presidente. Um dia, em plena semana santa, ele me tirou de um repouso em Barreirinhas para me pedir que acabasse a briga com Sarney, demonstrando seu pragmatismo e o apreço pelo ex-presidente.

Nunca me chamou para fortalecer o PT aqui. Só recebi um pedido nessa direção: foi o de Zé Dirceu, que me pediu para nomear Remi Trinta como secretário de estado, para que Washington Oliveira assumisse a Câmara como deputado no lugar daquele. E o pedido foi atendido.

Não desconheço que o Bolsa Família alcança quase sessenta por cento das famílias maranhenses e que, por isso, os maranhenses são gratos a Lula. 

Portanto, “amigos”, não tentem confundir mais ainda a cabeça do cidadão. Um pouco de verdade não faria mal. Lula não perdeu nada e nem eu votei contra ele. 

Votei na estabilidade, no emprego, na recuperação econômica, que, a meu ver, é a única maneira de melhorar a vida da população e combater a miséria. Estou absolutamente convicto de que o país não aguentaria outra troca de presidente, o que, sem dúvidas, paralisaria o país. E ainda o fato de que no ano que vem teremos eleição presidencial. É muita irresponsabilidade concorrer para isso, é virar as costas para o povo brasileiro e seus problemas. Uma estratégia como essa parece coisa de gente que é favorável ao cenário do “o quanto pior, melhor”, mas isso o Brasil não tem como aguentar. 

Além do mais, ninguém deu um perdão a Temer e nem o julgou, pois quando ele deixar de ser presidente, no final do ano que vem, o processo contra ele terá prosseguimento na justiça de primeiro grau. 

O povo pode não gostar de Temer, como mostram as pesquisas. Contudo, definitivamente não quer tirá-lo da presidência. As ruas estão vazias e o “Fora Temer” não vingou.

Essa é a verdade, que independe da vontade de candidatos ou seus acólitos.

E a Câmara cometeu alguma ilegalidade ou fez alguma coisa vergonhosa? Não, definitivamente não. A Câmara seguiu, estritamente, a Constituição. Nem um abuso, nenhum golpe. E moralmente? Também, pois inclusive vários ministros do Supremo elogiaram a decisão daquela Casa sobre a denúncia, afirmando que o arquivamento traz estabilidade ao país.

Eu votei com a minha consciência. Votei pelo país. Estou tranquilo.

E para encerrar, o presidente Temer, a pedido da bancada, resolveu o desastre que poderia acontecer com as administrações municipais, decorrente de um erro na liberação de recursos do FUNDEB (a mais), em dezembro do ano passado, que teriam que ser descontados em uma única parcela das novas administrações municipais. Essa atitude faria com que as prefeituras corressem o risco de não poder pagar professores, desorganizando a economia de todas elas, um caos iminente. 

Com grande sensibilidade, vários deputados e o presidente da FAMEM, o prefeito Tema, compareceram em audiência marcada por mim e felizmente encontramos a solução do problema, já resolvido em definitivo.

Para concluir, tenho a honra de informar que no próximo dia 15 de agosto, no Centro de Lançamento de Alcântara, será assinado o Convênio entre o ITA e a UFMA, com os termos do acordo definidos, o que vai possibilitar o início das aulas do curso de Engenharia Aeroespacial. Um importantíssimo passo para o desenvolvimento do Centro Espacial de Alcântara e para o desenvolvimento do nosso estado.

Avante, Maranhão!