terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Não Quero Saber

Assim parece ser o comportamento padrão do senador José Sarney frente às estatísticas publicadas pelo IBGE sobre o Maranhão, da PNAD no que concerne à realidade da vida do maranhense e às matérias dos principais órgãos de comunicação do país e até do exterior, como a da revista de maior influência no mundo, a inglesa The Economist.

Ele reage sempre como se essas publicações e matérias fossem influenciadas pelos adversários que estariam até mesmo vendendo essas matérias. Puro delírio de quem vive manipulando a imprensa como faz sempre por intermédio de uma grande quantidade de jornalistas empregados no seu gabinete e na assessoria do Senado, locais onde manda e faz o que quer. Esses jornalistas, de vez em quando, são acionados para colocarem matérias nas principais colunas de jornalistas prestigiados por muitos leitores nos principais jornais e revistas do país.


Já no que diz respeito ao IBGE, á estratégia era outra. Como não pode acusar o órgão, pelo ridículo que poderia passar, Sarney procurava no ínicio interpretar de maneira distorcida trechos de pesquisa, tentando mostrar uma outra realidade inexistente. Como não convenceu ninguém, face à clareza dos dados do Instituto, já desistiu dessa linha. Agora, adotou outra tática: ou desconhece os dados, ou tenta achar culpados por eles entre os adversários. É mais cômodo que debatê-los.


Quando é noticiada alguma coisa indefensável, ele imediatamente tenta desqualificar a fonte. Isso quando não adota logo a ameaça pura e simples. Não foi isso que fez ao se aperceber que Francisco Resek, advogado de Jackson Lago, seria duro e qualificado adversário dos seus desejos de defenestrar o governador do Maranhão, para dar o cargo de presente a sua filha senadora? Ou seria outro o motivo ao mandar uma ameaçadora carta ao ex-ministro Resek? Adicione-se isto ao fato de cópias da carta foram entregues para todos os outros ministros do Tribunal. O que seria isto, senão uma tentativa de intimidação?


E não livrou a cara nem da revista inglesa, a quem endereçou carta avisando que havia constituído advogados para proporem medidas judiciais contra a mesma. E como faz sempre, aproveitou para se dizer um democrata, que fez e aconteceu, esquecendo, por óbvio, de comentar que, para o povão, a lembrança que ficou do seu governo foi o fracasso do Plano Cruzado e a inflação de 80% ao mês! E cuida ainda em dizer que não tem nada com a pobreza do Maranhão, nenhuma culpa mesmo, devendo as acusações recaírem sobre os seus adversários, que ganharam a eleição em 2006. Só faltou dizer que os 40 anos de poder do seu grupo foram de dinamismo e desenvolvimento...


Não há como Sarney fugir da responsabilidade que tem pela pobreza e pelo atraso do estado. Se fosse séria a vontade de discutir o período da oligarquia no Maranhão, ele precisaria explicar assuntos para os quais não existem explicações. Como explicar que em 2002, após 8 anos de governo de Roseana Sarney, sua pretensa sucessora, o estado não possuía ensino médio e tinha a menor escolaridade média entre todos os demais estados? Isto, sabendo que a educação é responsabilidade exclusiva do governo do estado e a causa maior da pobreza do nosso povo, aspecto que se traduz diretamente no IDH, na mortalidade infantil, no analfabetismo, na renda individual e na exclusão social em que o Maranhão era o pior entre todos.


E repito: esses dados alarmantes foram todos computados ao final de oito anos de governo do mais ilustre membro da família Sarney, que teve toda a ajuda possível do governo Fernando Henrique Cardoso, além de ter um irmão como ministro de Estado.


Eu, em 4 anos, instalei o ensino médio em todos os municípios e coloquei em outro patamar todos os indicadores sociais do Maranhão, inclusive o IDH, consertando o desmando de 40 anos. Eles dispuseram de 40 anos para fazer e não fizeram. Na verdade não tinham interesse.


Sarney é tão democrata, devia ter dito a revista inglesa, que mantém uma violenta mídia treinada para distorcer tudo o que acontece, além de ser totalmente dedicada a desestabilizar o governador com mentiras e ilações quase sempre irresponsáveis. Faltou dizer também o autolouvado democrata que “democraticamente” tenta dar um golpe de estado jurídico, tirando do governo quem foi legitimamente eleito pelo povo para entregar ao perdedor, no caso sua filha Roseana Sarney, que não vive sem um governo para chamar de seu. Por que não disse isso na sua carta resposta?


E a sinceridade dele é tão grande que espanta. Lembram-se da Pública, empresa de pesquisa e publicidade de São Paulo, que trabalhou nos últimos anos do meu governo e que era demonizada por Sarney? Ele perseguiu tanto a empresa que ela, depois daqui, passou apertada porque eles procuravam fazer com que perdessem clientes, além de entrar com um processo na justiça contra a empresa. Pois bem, o cerco foi tão grande que nesta semana passada, sem uma linha dos seus jornais, eles contrataram a empresa para melhorar a imagem da oligarquia e de Roseana, que sofre brutal rejeição. Soube até que uma pesquisa mostrou que 70% da população não quer Roseana no governo, como gostaria o senador José Sarney.

Esse é um trabalho ou um castigo para a Pública?

Um comentário:

Carlos disse...

Dr. José Reinaldo, boa noite.Pela primeira acesso ao seu blogue. Importante.A democracia fica prenhe de esperança.Temos espaço para enfrentar os "décios e deças" do imirante. Esse seu espaço é o verdadeiro COLUNÃO que sustenta o necessário espaço democrático que tanto precisamos. Por derradeiro gostei do comentário: A Roseana está louca por um governo para de seu...
Carlos Antonio