terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

QUARTO CENTENÁRIO, UM NOME A PROCURA DE UMA OBRA

O marqueteiro Duda Mendonça verificou que o nome ‘Quarto Centenário’ é forte, tem um apelo muito grande e desde então Roseana o usa para tudo, principalmente para aquilo que ela faz melhor: enganar o público. Assim, inicialmente esse nome foi usado por ela a bordo de um helicóptero sobrevoando São Luís e apontando onde ela faria obras de sonho, maravilhosas. Dentre as tais obras, ela destacava a impressionante Ponte do Quarto Centenário, obra comparável a Ponte Rio- Niterói, construída por Andreazza durante o chamado ‘Milagre Brasileiro’. Tudo fazia parte de um filme para a campanha eleitoral de 2010. Esse estelionato eleitoral também reforçava a frase repetida em todos os cantos, de que esse seria o melhor governo de Roseana Sarney, o que na verdade nada dizia, pois os outros foram muito ruins.

Roseana, no governo após a reeleição, nem falou mais na tal ponte, nem uma solenidade de ’autorização’ sequer - arma midiática preferida do seu repertório, que frequentemente utiliza. Nem mesmo a execução de um projeto de engenharia, caso ela tentasse mesmo realizar a obra. O governo não falou mais na ponte, até para não lembrar aqueles que acreditaram na promessa eleitoreira, mais uma  entre tantas que não foram realizadas.
 
A segunda vez que tentaram usar outro engodo foi quando a seleção brasileira de futsal esteve aqui e anunciaram que a apresentação fazia parte das comemorações do quarto centenário da capital. Logo pararam, pois aquele jogo na verdade fazia parte do treinamento da seleção brasileira, que antes já jogara em Boa Vista e depois de São Luís iria a Teresina, Fortaleza, João Pessoa. Ou seja, nada tinha a ver com Quarto Centenário de qualquer lugar. Era só mais uma tentativa de enganar o público.

E agora ela se supera. Todos sabem do esforço e do trabalho do ex-governador Jackson Lago para realizar,  junto com o governo federal, o PAC do Rio Anil, do qual fazia parte a erradicação de palafitas, transferindo seus moradores para blocos de apartamentos dotados de energia elétrica e saneamento(água e esgoto) e vários equipamentos de infraestrutura social.

Além disso, fazia parte do projeto uma avenida de contorno da área que Jackson deixou bastante adiantada. Agora Roseana, frustrada com os impactos negativos de sua caríssima Via Expressa, faz o que mais gosta, ou seja, assina a autorização para a execução da ligação da obra com outra avenida e chama a obra de Avenida do Quarto Centenário.

Na verdade se alguém tem algum mérito com a execução dessa avenida é Jackson Lago, que, pela sua vida e seu currículo de três vezes prefeito de São Luís e governador do estado, possibilitou essa obra que certamente teria terminado, se não tivesse sido afastado do governo da maneira que foi, para que Roseana, a perdedora da eleição, pudesse voltar a ser governadora.

Em meio a tantos nomes sem mérito que batizam obras no Maranhão, nada nem ninguém merece mais, nesse caso, titular essa obra do que o ex-governador. É querer levar o mérito pelo que os outros fizeram, além de tentar impedir uma justa homenagem ao ex-governador que a derrotou.
Não bastasse isso, agora vem aí o Carnaval do Quarto Centenário...

E sem fugir ao tema, eis aí outro escândalo sem precedentes, o ato tresloucado do governo de dar R$ 9,5 milhões para o carnaval do Rio de Janeiro, valor divulgado pela imprensa, numa hora em que o governo deixa de cumprir a sua parte em vários e importantes programas de interesse social. Vejam que paradoxo: Roseana simplesmente fechou 16 escolas de ensino médio no Maranhão, mas em contrapartida, abriu as portas de ‘escola’ no Rio, ‘de samba’, evidentemente...
Essa vida é um circo.

No Maranhão em que tudo vai deixando de funcionar, incluindo aeroporto, acesso rodoviário da capital, colégios e hospitais são fechados, a insegurança e a violência tomam conta da capital e do estado, e os indicadores sociais despencam e afundam o estado comparativamente a outros, os empregos prometidos não aparecem, as empresas também não vem, e o clima de desalento e abandono toma conta de tudo, até o Box Cinema é interditado...

Enquanto isso, há muitos se dando bem, muito bem, pois até as decantadas UPA, que têm o preço de refêrencia fixado no Ministério da Saúde em R$ 1,5 milhão para cada uma, incluindo todo o equipamento, aqui elas estão custando R$ 4,5 milhões cada, sem o equipamento, ou seja, pelo preço de uma UPA aqui, são construídas três nos outros estados. Pobre Maranhão.

Por falar em pobreza, a governadora disse que vai combater a pobreza. Parece que ela finalmente começa a aceitar que aqui tem mais pobreza que qualquer outro estado brasileiro. Vejam o que escreveu o Professor José Lemos da Universidade Federal do Ceará:

“Para combater a pobreza,  o Governo Maranhense precisa esforçar-se para reduzir drasticamente a atual taxa de analfabetismo, haja vista que em 180, dos 217 municípios maranhenses, a taxa supera 20%.  No Maranhão, 71 municípios tem mais de 50% dos domicílios privados ao acesso à água encanada. Em apenas 18 municípios, menos de 50% dos domicílios tem acesso ao destino adequado de dejetos humanos. Este quadro precisa  e pode mudar.
 
No passado recente, de 2002 a 2006, foram feitas tentativas bem sucedidas que deram bons resultados. Basta haver um pouco de humildade para aprender com os bons exemplos deixados, mesmo que por adversários. O bem estar coletivo deve ser o fundamento norteador de qualquer governo.
 
Combater pobreza extrema  apenas transferindo renda não resolve o problema. Ao contrario, pode até mesmo agravá-lo, porque pode estimular as pessoas, sobretudo os jovens, à indolência. O que reduz a pobreza é a educação, o trabalho bem remunerado, e o acesso aos serviços sociais essenciais de saneamento, água encanada e coleta de lixo”.

O problema, Lemos, é que com Roseana não dá para ter esperança de mudança...

Um comentário:

Pessoa disse...

O cenário é desalentador. Os mesmos atores desenvolvem o mesmo enredo de um velho e surrado filme sem roteiro. A natureza generosa que se dispôs a derramar suas belezas no Maranhão tem sido vencida pela incompetência, ou pior ainda, pela maldade sem fim dos que são possuídos pela cegueira da soberba, da prepotência e apesar do poder e da riqueza, pela insignificância. A história contará a sua verdade.