terça-feira, 28 de abril de 2015

A QUESTÃO DA ALUMAR




A Alcoa veio para o Maranhão no governo de João Castelo. Como uma forma de “compensação ambiental” por sua instalação, doou o Sistema Italuís, que abastece a ilha do Maranhão de água potável ainda hoje. Investiu-se muito, afinal acreditava-se deveras na especialização da Alcoa no negócio do alumínio, sobretudo pelo fato dessa companhia um lugar de destaque no setor em todo o mundo. Ela veio baseada na garantia de energia barata e isso aconteceu por décadas. Porém, nunca criou uma cadeia produtiva do metal no estado, ficou sempre na fundição e na refinaria, tudo para exportação. Também nunca facilitou o uso de alumínio pelas empresas locais. Exportava tudo aproveitando os preços altos ano após ano. 

Ademais, durante todo esse tempo investiu muito na geração de energia elétrica, seu maior insumo para ficar livre dos humores do governo, construindo hidrelétricas com outros parceiros e sócios. Hoje produz cerca de setenta por cento da energia que precisa, de forma que apenas os 30 por cento restantes são fornecidos pela Eletronorte.
Então qual a razão que levou a Alumar a decidir pelo corte de 600 funcionários especializados que levou tanto tempo para formar, além de desligar a fundição e praticamente sair do mercado?

Pois bem, o que está por trás de toda essa reviravolta é a entrada avassaladora da China no mercado mundial do alumínio, trazendo preços muito baixos, impossíveis de serem acompanhados por outras empresas no mundo todo. Diga-se de passagem, a China utiliza energia suja e barata produzida por carvão altamente poluidor e também dispõe de mão de obra (também) barata na produção do alumínio. O fato é que desde 2012 os produtores de alumínio antigos gigantes do mercado foram impactados pelo preço internacional capitaneado pelos chineses, fazendo com que perdessem competitividade.
Na verdade, isso aconteceu com quase todas as commodities, mas nada tão grave quanto no caso do alumínio.

Só para termos ideia do que aconteceu, o preço caiu de 3 mil dólares americanos para apenas 400 por tonelada naquele ano. Hoje está em 1,7 mil. A a energia também subiu 40 por cento e então desde 2008, considerando especificamente o caso da Alumar, a empresa deixou de ser competitiva. No entanto, a autogeração de eletricidade permitiu aguentar mais tempo. Como toda as empresas eletro-intensivas, a Alumar começou a operar com prejuízos há cerca de três anos e nesse período acumulou prejuízos da ordem de 600 milhões de reais.

A refinaria, que é um exemplo de eficiência, vai continuar funcionando e mantendo cerca de 800 pessoas empregadas. A Alumar deixa claro que não quer sair do mercado de alumínio e vai procurar produtos de maior valor agregado, enquanto observa o mercado. O prejuízo é grande para o Maranhão, mas aparentemente não existe ainda uma solução para o problema. Vamos acompanhar.

Mudando de assunto, a discussão sobre o pacto federativo avança na Câmara. E cada vez temos a certeza do “avanço” da esfera federal nas finanças estaduais e municipais. O governo federal cada vez coloca menos dinheiro no SUS, sobrecarregando os governos municipais e estaduais. Com isso, a saúde - e também a segurança e a mobilidade urbana - vão se tornando as áreas onde se concentram as maiores reclamações e queixas da população.

Enquanto isso, o governo federal continua avançando sobre os recursos existentes de tal forma que já foram anuladas as conquistas obtidas pelos estados e municípios na Constituição de 1988. E no meio disso, sem proteção, a população vem sendo sacrificada. Explico:  ao não atualizar os índices de isenção do imposto de renda, o governo federal já compeliu os contribuintes a recolherem mais de trinta bilhões de reais desde 1996 em recursos que lhes são retirados indevidamente.

E dessa forma seguem se financiando ilegalmente, tirando da população um dinheiro que poderia ser usado para o conforto de suas famílias, em um verdadeiro esforço de capitalização para poder enfrentar os desafios que têm pela frente.

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