segunda-feira, 28 de julho de 2008

Liceu Maranhense, 170 anos de Glórias

Reproduzo abaixo artigo do Professor José Lemos:

Liceu Maranhense, 170 anos de Glórias

Quinta-feira passada o tradicional Liceu Maranhense completou 170 anos. Foi fundado em 24 de julho de 1838 pela Lei Provincial N°77, assinada pelo então presidente da Província, Comendador Vicente Tomás Pires de Figueredo Camargo. É a segunda Escola pública criada no Brasil, logo apóe o Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, que foi fundado em 1837.

O Liceu foi criado para viabilizar a educação dos filhos das classes ricas. Ou seja, nos seus primórdios era um colégio para as elites econômicas e políticas. Ao longo da sua gloriosa trajetória como vetor de desenvolvimento do Maranhão o Liceu passou por varias modificações curriculares e também por muitos percalços e descasos administrativos de governantes que não conseguiam reconhecer que a educação é o principal elemento libertador e fomentador do desenvolvimento social e econômico. Exatamente por isso governantes com essa visão que dirigiram o Maranhão ao longo desse período, deixaram o ensino público maranhense, em dificuldades. Sabe-se que não é interessante para governantes conservadores e, sobretudo para aqueles que querem fazer do Estado a sua fonte de poder e de riquezas, incentivar a educação. Governantes com esse perfil sabem que população esclarecida os alije do poder e tiram-lhes a única fonte que têm para construir seus impérios.

No Maranhão isso aconteceu de forma bastante significativa, sobretudo no passado recente, em que alguns poucos se apropriaram do poder político e econômicos do Estado construíram riquezas, império de comunicação e reuniram séquitos de bajuladores e porta vozes sem nunca terem exercido função empresarial, como seria normal num regime capitalista. Apropriaram-se do Estado e tratavam-no como brinquedo de estimação que devia ser repassado para amigos e parentes, sobretudo os mais próximos, para, a partir desse processo, enriquecerem. A voracidade dessa gente não tem limites. Alem das fortunas construídas à custa da deseducação que induz à desinformação ou à informação distorcida, exercitam um jogo de poder que chega ao cumulo de encontrarem formas de sempre serem lembrados através de monumentos construídos com recursos públicos como prédios, ruas e avenidas. No Maranhão isso aconteceu de forma acintosa e inimaginável em qualquer outro estado brasileiro, ao ponto de constituir-se motivo de gozação e até de desrespeito fora das suas fronteiras.

A despeito desse descaso, que conseguiu, até recentemente, deixar sem escola pública de nível médio 159 dos 217 municípios maranhenses, o Liceu consegue uma sobrevida mesmo assim gloriosa. Por isso esta data não poderia passar sem um registro e sem as devidas comemorações. Manifestações necessárias para sacudir a sociedade maranhense e mostrar que educandários como este precisam ser preservados, multiplicados e, mais do que isso, dadas condições aos seus gestores, professores e funcinários para poderem viabilizar ensino de qualidade e libertador. Ensino que seja capaz de preparar adolescentes para construir um novo Estado e que possa de verdade livra-lo daqueles que apenas querem tirar proveito das vastas disponibilidades dos recursos naturais maranhenses para acumularem fortunas e esbanjar vaidades.

Na sua trajetória o Liceu conseguiu ter educadores e estudantes que se destacaram em diversos ramos de atividade. Dentre os professores que honraram o Liceu pode-se citar João Lisboa, Sousândrade, Augusto Corrêa. Da minha geração eu destacaria os professores Sued, Raimunda Santos, Maria de Jesus Carvalho, Ivaldes, dentre tantos outros que tinham a nobre profissão de educar como verdadeiro sacerdócio. Pelos bancos do Liceu passaram personalidades que seriam responsáveis por momentos marcantes do desenvolvimento do estado. Outros, a minoria, é bom que se destaque, começaram a erigir naqueles espaços os seus projetos de riqueza fácil, egressos que eram de famílias poderosas. Assim, o Liceu pôde ser de utilidade para diferentes projetos de vida. Uma grande fábrica de sonhos e de talentos por onde circularam jovens que seriam as lideranças políticas do Estado, exercitando-a em beneficio próprio ou da família. Mas a maioria dos Liceistas estava, e estão, voltados para a construção de um Maranhão mais justo e vislumbram no Liceu e na escola publica as ancoras imprescindíveis de sustentação para atingir tais objetivos. Em razão da maioria que construíu no Liceu sonhos para uma sociedade mais justa e um Estado bom para todos, precisamos fazer com que este 24 de julho seja comemorado sempre e os 170 anos desse nosso colégio lembrado durante o restante deste ano.

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José Lemos é Engenheiro Agrônomo e Professor Associado na Universidade Federal do Ceará. lemos@ufc.br. Autor do Livro “Mapa da Exclusão Social no Brasil: Radiografia de Um País Assimetricamente Pobre”.

Um comentário:

Perfil disse...

Ricardo Santos:


Sobre o texto do JP de hoje, falando sobre o candidato Obama, e sua visita a Alemanha posso dizer que para muitos, falta ainda o domínio na arte da diplômacia. ZR, após o 28/10/2006. Sua diplomacia deu ao Maranhão hoje, um ar melhor para respirar, livre das amarras ditatorias IGUIAS OU PIORES do que as da Alemnha Nazi-facista. Obrigado pelo seu exemplo de vida.