quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Lula está Devendo

Parodiando o próprio presidente, que gosta de usar, para tudo, “que nunca antes na história desse país” pode-se usar a frase tão repetida por ele para enquadrar o fato do próprio presidente Lula da Silva não ter vindo a São Luis desde que assumiu em 2002 a presidência da República. Realmente, a frase está perfeita para o inusitado episódio, pois pelo que eu saiba, jamais aconteceu coisa igual principalmente em se tratando de Lula, que gosta de viajar e já esteve várias vezes em todas as demais capitais brasileiras. E durante todo o período governamental esteve no estado apenas 3 vezes: a primeira em Balsas, no Agrobalsas, logo que assumiu. A segunda em Imperatriz, lançando a expansão do campus da Universidade Federal, e a terceira quando veio em campanha política a Timon, tentando dar uma mãozinha à candidatura que ameaçava naufragar de Roseana Sarney ao governo do estado, como efetivamente aconteceu.

Todas foram visitas muito rápidas e jamais almoçou, jantou ou dormiu no estado como presidente.

Será que os maranhenses deram motivo a tanta esnobação e falta de atenção com o estado? Será a pobreza do Maranhão que o assusta? Não pode ser, pois Piauí e Alagoas, para citar dois exemplos, são mais pobres que o Maranhão e ele perdeu a conta do número de vezes que esteve nos dois estados. E ademais ele sempre se deu muito bem em todas as eleições que disputou e que precisou do Maranhão. Na última, ele teve mais de 80% dos votos. Não pode reclamar.

A única explicação possível, embora não aceitável, tem na verdade duas vertentes com um único personagem. O senador do Amapá José Sarney. E olhe que ele é senador pelo Amapá. A primeira hipótese é a mais perversa das duas e ficou muito explícita durante o meu governo, com a proibição dos ministros virem aqui e a consequência natural disso foi a ausência completa de parcerias e ajudas ao estado.

Isto com o agravante de que em 2002 e 2003 éramos o mais pobre estado do país que deveria assim merecer ajuda especial do governo. Mas nada rompia o bloqueio sarneysista ao estado endossado por Lula. Impressionante era o presidente se curvar e aceitar essa imposição dirigida a quem sempre apoiou o governo federal.

E essa força política gigantesca voltada inteiramente para prejudicar o estado dentro de uma teoria perversa, cujo preceito básico era de que benefícios só poderiam vir para cá se Roseana estivesse no governo. Essa força era tão formidável que a usina siderúrgica que aqui seria implantada pela Baosteel, chinesa, foi cancelada ou adiada, em que pesem todos os acordos assinados e da BV Works Steel, empresa embrionária já em funcionamento no Rio de Janeiro, no bairro do Flamengo.

A outra hipótese tem o mesmo personagem central, José Sarney. E não é difícil encontrar o motivo. Quando Lula esteve em Imperatriz, eu era o governador e participei da assinatura da expansão da universidade que foi realizada em palanque armado em uma praça de Imperatriz. O primeiro a usar a palavra foi o prefeito Ildon Marques do PMDB, aliado do grupo Sarney. Mal começou falar e uma estrondosa vaia se fez ouvir com uma força impressionante. Uma das maiores que ouvi até hoje. O constrangimento de Lula foi muito grande. Eu estava do seu lado no palanque e ele se dirigiu a mim e perguntou quem era aquele que tentava falar sem conseguir, já que a vaia não parava um momento. Eu disse que aquele era Ildon Marques, grande aliado de Sarney e Roseana, e era filiado ao PMDB. Ele se virou para o ministro Tarso Genro que acompanhava a conversa e disse: “Puxa, esse tá mal!!”

Esse fato deve ter consolidado no presidente a idéia, indefensável, de que teria que evitar de todas as maneiras vir ao Maranhão e a São Luis, pois Sarney não perderia a oportunidade de vir com ele e traria Roseana junto.

E o constrangimento seria quase insuportável, qual seja o de ouvir a gigantesca vaia que certamente perseguiria os seus amigos tão queridos. Seria muito ruim testemunhar fato tão desagradável e depois ter de consolar o ex-presidente. Daí resolveu evitar a vinda ao Maranhão, demonstrando o quanto o senador José Sarney é poderoso em seu governo.

É impressionante pensar porque Sarney, homem que demonstra ser tão poderoso junto ao presidente, não usa esse poder para ajudar na luta pelo desenvolvimento do estado, ao invés de evitar com toda a sua influência a vinda de siderúrgicas e outros investimentos. Mas pensando bem, se no seu governo não trouxe para cá nenhum projeto estruturante para desenvolver o Maranhão, por que o faria agora?

Para encerrar, nada parece dar mais certo para o grupo Sarney e suas maquinações. Em forte campanha contra o governador Jackson Lago, querendo colocar nele a culpa pela revolta popular no interior contra a manipulação no resultado das eleições municipais e querendo, ainda, passar para a mídia nacional que o governador, que ele quer cassar, não cessa de delinquir, vem a indignada entrevista do desembargador Bayma que, tal a importância do personagem e principalmente do teor da entrevista, derruba o ingente esforço de causar um clima contra Jackson Lago. Como ignorar a indignada entrevista do desembargador?

Foi um balde de água fria que só os deixa mais desesperados.

3 comentários:

Anônimo disse...

Com todos os ventos a favor desse governo e recursos,o governador ainda não acertou, De umas dicas a ele, voce com toda a mare contra fez um bom governo.Um amento no salario e obras pelo Estado, abertura de concursos seria um bom começo, se der tempo isto é.

Ricardo Santos disse...

Zé Reinaldo, o Sarney subiu demais... Todos admiravam a forma espetacular que sempre usou nas mais diferentes situações. Era um quiabo liso, escapava tranquilamente, mas na natureza duas coisas são reais: um dia tudo que subiu, descerá, e toda escuridão um dia chagará luz, todos os podres...

Miltinho Aragão disse...

Venho pela primeira vez fazer uso do seu blog para externar a minha fala, de inicio, dizer da satisfação e orgulho de poder participar desse espaço, vez que o senhor é uma pessoa que escreveu uma página inesquecível na história desse Estado e da nossa gente, portanto, o admiro muito, todos nós lhe devemos muito.Sobre o texto, como bem disse, as palavras do Doutor Bayma suou como uma ducha fria nas artimanhas Sarneyzistas, a máscara caiu, os problemas eleitorais existentes Maranhão afora se deu em sua maioria por condutas não recomendáveis a Magistrados, que escolheram um lado nas eleições, São Mateus foi um exemplo.O Maranhão tem que tomar ainda conhecimeto do que o Juiz Marco Aurélio fez ou deixou de fazer para possibilitar o resultado final, uma vergonha.A revolta em muitas cidades deve ser visto como a febre que avisa a enfermidade, chamar pessoas humildes e ávidas por mudança, sofridas e espoliadas de vãndalo sem apurar o que de fato ocorreu em cada cidade a gerar tamanha insatisfação, por certo, não é o caminho mais correto.Tudo demais é sobra e o povo apresentou o grito que se iniciou no Maranhão recentemente e que o senhor semeou tão bem como forma de alerta e o Dr. Bayma captou bem esse reclame popular. O grito de liberdade que ainda ecoa, pois a luta não acabou...Grande abraço nosso futuro Senador da República pelo MARANHÃO.Miltinho Aragão.