segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As Telessalas da Saúde

Quem não lembra o programa que acabou de enterrar a educação do Maranhão, há alguns anos, no governo do mesmo grupo que administra hoje o Estado do Maranhão? Programa esse que entregou o ensino médio à fundação Roberto Marinho, implantado TELESSALAS onde deveriam ter professores concursados.

Estamos diante de absurdo semelhante, mas agora o alvo é outro, apesar de os personagens e os objetivos serem os mesmos.

A Secretaria de Saúde do Estado do Maranhão, na pessoa de seu Secretário, vem demonstrando que, de saúde não entende nada, ou é tão mal intencionado que não deixa mais o objetivo de fazer a coisa errada escondido por trás de justificativa alguma.

O que chamo de TELESSALAS da saúde são os tais 64 “hospitais” do Secretário que devem custar 340 milhões de reais e na verdade nem hospitais serão, no máximo poderiam ser classificados como UNIDADES MISTAS.

Não há preocupação sequer de rever a legislação para saber se uma unidade, do tamanho das propostas, pode ou não ser enquadrada como hospital.

Quem conhece saúde sabe que investir em “hospitais” é a maior das demonstrações de ignorância sobre Sistema Único de Saúde que um gestor pode demonstrar.

Na verdade, se o senhor Secretário e seus Assessores entendessem de saúde, saberiam que os leitos que se encontram desativados no interior do Estado, e só para citar, temos Grajaú, Barreirinhas e Cachoeira Grande, que possuem três excelentes hospitais desativados, são suficientes para atenderem a demanda das regiões em que se encontram.

Investir em “hospitais” é negar a própria historia de construção do SUS. Ir contra a luta para diminuir as internações em função do incremento da Atenção Básica à Saúde.

Um paciente que chega a qualquer hospital com agravos provocados pelo diabetes, por exemplo, se fosse devidamente acompanhado desde o inicio por uma equipe do PSF, provavelmente não chegaria a esse ponto e não precisaria de internação. O mesmo se pode dizer de hipertensos, tuberculosos, hansenianos e daí por diante.

Quem entende de saúde investe em Atenção Básica e isso já é feito em outros Estados, inclusive do Nordeste, como é o caso do Ceará, que foi um dos pioneiros nesse sentido e hoje, depois de mais de vinte anos, colhe os frutos da organização e da boa fé de seus administradores.

Não é difícil prever o destino dos tais 64 “hospitais”, pois quem irá mantê-los após as inaugurações?Quem vai bancar os profissionais necessários ao seu funcionamento? Quem vai adquirir ambulância para o deslocamento dos pacientes, quando os casos não forem resolvidos? Os laboratórios privados que estão no “esquema” aqui em São Luis irão para o interior?

O Prefeito que tivesse um mínimo de responsabilidade não aceitaria a instalação de um desses “hospitais”. O destino deles é, irremediavelmente, fechar deixando o prejuízo para o povo maranhense.

Tal como as TELESSALAS, o efeito desses 64”hospitais” vai ser catastrófico, com um agravante: enquanto as TELESSALAS fabricaram milhares de analfabetos funcionais, os 64 “hospitais” fabricarão milhares de inválidos e DEFUNTOS.

Dr. Marcelo Rosa
Presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Maranhão

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