sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Honoráveis Bandidos

Os jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano estiveram no dia 4 de novembro último em São Luís para o lançamento e noite de autógrafos do já best seller “Honoráveis Bandidos”, do qual são autores. Trata-se de um livro corajoso e revelador para quem quer entender o que se passa no Maranhão e tudo o que aconteceu para converter o nosso estado no mais pobre, mais espoliado, abandonado e desassistido estado da federação. É uma obra que se propõe a revelar ao Brasil o que a família Sarney faz com o Maranhão com ajuda do presidente Lula da Silva.

Aqui sempre soubemos que Sarney tinha dupla personalidade: uma em Brasília, onde se esmerava para ser um homem superior, espirituoso, conversa fácil e agradável, ex-presidente que se esforçava para deixar como legado a redemocratização brasileira, estadista e homem de letras, membro influente da Academia Brasileira de Letras, que, em verdade quase não freqüentava. A outra, a que conhecemos por excelência aqui no Maranhão, dispensa comentários. Por ora.

A penosa construção da primeira personalidade, a nacional, foi sempre feita a custa de muitos favores, empregos a granel, subserviência aos poderosos de plantão, que recentemente acabaram por levar aos famigerados atos secretos do Senado. Agora, por último, quando ele perdeu as suas mais caras esperanças de impor essa montagem biográfica ao país, passou às ações de censura e intimidação a jornais e jornalistas, numa crassa imitação ao estilo de mão pesada de Antonio Carlos Magalhães, que, de maneira às vezes deveras truculenta, cobrava tudo o que jornalistas escreviam contra ele.

A necessidade de tomar o governo legítimo de Jackson Lago para presentear a filha Roseana e tentar blindar seu filho Fernando dos inquéritos com a Polícia Federal fizeram Sarney enfrentar um Lula disposto a perdoá-lo de tudo que fizesse, mesmo que isso irritasse profundamente o PT. Sim, porque na última jogada do velho coronel, esse arregimentou para si o comando do Senado, que seria do partido de Lula, como seria o esperado. Nenhum partido chefiaria as duas casas do congresso. Na busca pelo poder, Sarney nada respeitou.

Sarney demonstrou assim a sua temeridade. Era desafiar muita coisa ao mesmo tempo e, se não fosse a mão forte de Lula, um homem que não teme o julgamento da opinião pública, Sarney teria sido expelido da presidência do Congresso Nacional, tal a gravidade das denúncias que a imprensa foi tomando conhecimento e publicando.

Eivado de desespero, e tendo à mão sua experiência, o presidente do Senado percebeu que a partir daí começava a sua maior tragédia, pois estava indo para o lixo todo o trabalho de meticulosa enganação coletiva que lhe tomou tanto tempo e tanto esforço pessoal. Para ele, aquilo era um pesadelo, uma verdadeira tragédia, negação de toda uma vida. Nem todo o poder do mundo conseguiria mudar o que acontecia.

Sarney então relaxou suas defesas e passou a viver unicamente para a vingança e para a obtenção de mais poder. Passou também a viver em um mundo à parte, colocando-se como um espectador privilegiado dos acontecimentos. Em outras palavras, nada era com ele. Suas afirmações, pueris, procuravam distanciá-lo da realidade em que estava inserido. Como se diz: seria cômico, se não fosse trágico.

O livro de Palmério Dória é muito bem escrito, leitura agradável e fácil, que leva o leitor a querer lê-lo de um fôlego só. Foi sucesso instantâneo e nesta semana chega ao quinto lugar na lista dos mais vendidos do Brasil, conforme o ranking semanal publicado na revista Veja. O livro vende quase mil exemplares por dia. Em conversa informal com um livreiro no aeroporto de Brasília, este comentou que precisava repor volumes nas prateleiras várias vezes ao dia. Finalmente, o conhecimento que o Maranhão tem do “Sarney capaz de tudo” equipara-se ao conhecimento que o restante do Brasil possui sobre o referido senador. Acaba enfim a dupla personalidade.

No Maranhão, talvez por receio de vingança, e temor de retaliações, o que naturalmente não escapa à compreensão, desconheciam-se livrarias que vendessem o livro sobre Sarney. Com a gritaria, algumas bancas de jornais e revistas conseguiram alguns exemplares, logo esgotados.

Alertado sobre o que aqui acontecia, Palmério Dória resolveu vir para lançar o livro e trazer uma boa quantidade de exemplares para oferecer a quem quisesse adquirir. Marcos Nogueira, brilhante jornalista, se dispôs a organizar a vinda dos dois autores, para que o maranhense pudesse matar a sua curiosidade. Sarney, que se conteve nacionalmente para não demonstrar a grande raiva que sentia, disse que não ia entrar com uma ação na justiça para impedir a circulação nacional do livro, temendo que tal atitude chamasse ainda mais atenção do público para a obra, contribuindo assim para transformá-lo no mais vendido do Brasil.

Mas no Maranhão a coisa parece ser diferente. Além da proibição para que as livrarias o vendessem, sob pena de perseguição fiscal, as empresas de publicidade que trabalham com outdoors, depois de serem contratadas e portarem as peças que divulgavam o lançamento do livro, foram ameaçadas e preferiram romper os contratos, sumindo com a publicidade do título. Foram ameaçadas de perder o trabalho. Cederam com medo.

E finalmente, no dia do lançamento do livro, na sede do Sindicato dos Bancários na Rua do Sol, em São Luís, aconteceu a prova maior do desespero de um grupo que se sente acuado. De um grupo que sofre com a ilegitimidade que vem da decisão classificada como golpe jurídico pelo ex-ministro Resek, proferida por quatro Ministros do TSE, que deu o governo para Roseana Sarney.

Sim, o desesperou consubstanciou-se numa infame tentativa de invasão do local do evento por asseclas roseanistas, quando este já se encontrava repleto de convidados e com a presença dos jornalistas autores do livro. A choldra chegou ameaçando e tentando agredir a todos que encontravam pela frente, chegando ao ponto de lançar ovos e até um bolo para sujar alguém.

O resultado foi o inverso do que os organizadores de um destempero digno da SS de Hitler almejavam. O feitiço virou-se contra os feiticeiros e acabaram apanhando muito. E pior: chamaram atenção nacional para o livro e, mais ainda, para os métodos que Sarney usa aqui no Maranhão. Palmério Dória saiu daqui convicto de que Sarney é pior do que aquele retratado em seu livro e que merece certamente um volume dois para complementar a saga.

A tentativa e o esforço da propaganda roseanista de mostrar tranqüilidade e a sua superioridade em relação à eleição do ano que vem foi “por água abaixo” e deixa clara a insegurança e o medo que tem do povo do Maranhão e das futuras eleições.

Isso só provoca ainda mais a união da oposição, e desta ao povo, no desejo de ver pelas costas a oligarquia violenta e usurpadora.

Roseana Sarney envergonha o Maranhão!

4 comentários:

Vânia Frazão disse...

Parabéns por mais um brilhante artigo. Descreve de forma coerente a maneira truculenta em que a oligarquia mostra-se desesperada. Tomara que as oposições compreendam a necessidade da renovação das alianças para expurgar de vez a máfia Sarneísta do nosso Estado. Contamos com você, governador. Abraços

Anônimo disse...

Gov José Reinaldo, eu adimiro demais o seu jeito de ser, você é uma pessoa de uma postura irretocavél, bem educado, gentil.Fui contra aquela historia da sua prisão,e ate votaria no Sr para senador sim, mais nas eleições de 2006 o Jackson só ganhou porque a maquina do Estado falou mais alto e muito alto, e mais, o seu governo foi muito melhor que o governo desastroso do DR Jackson, politica pra ele acabou..

Renato Viana Waquim disse...

Sarney só conseguiu promover ainda mais o livro.

Jônatas Carlos disse...

Olá!
O lançamento de Honoráveis Bandidos foi um sucesso, pena que eu não pude está presente, mesmo sendo convidados por alguns coordenadores do evento.
A convardia, praticada por 15 estudades de guerrilha sarneysta, mostra o tamanho do desespero desta organização criminosa, o pior que o pagamento daquela quadrilha menor de estudade saiu do próprio governo do estado. O povo do Maranhão em resposta a mais uma tentativa de boicote, dará uma lavagem de voto nesta oligarquia, que ainda não se cansou de roubar o nosso Estado!