sábado, 24 de maio de 2008

Refinaria no Maranhão

Folha: O Brasil deverá se tornar auto-suficiente na produção de derivados de petróleo a partir de 2015, com a construção de mais quatro novas refinarias -duas em curso e outras duas em estudo, elevando o total de unidades no Brasil para 15. "Se nós tivermos essas [15] refinarias em 2015, seremos provavelmente auto-suficientes", disse à Folha o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, 58.

Segundo ele, a capacidade de refino deverá passar de 1,9 milhão de barris por dia para 3,6 milhões.
Hoje, o Brasil produz petróleo acima de suas necessidades, mas de um tipo pesado, que não gera a gasolina e o diesel suficientes para atender à demanda interna, obrigando a empresa a importá-los, o que reduz o saldo comercial. Uma delas, confirmou Gabrielli, deve ser no Maranhão, terra do atual ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a quem a estatal está ligada.

Ele diz, porém, que é "uma coincidência positiva" a escolha do Estado do ministro. Quanto à quarta refinaria, diz que ainda não haveria definição.
Petista, professor da Universidade Federal da Bahia, Gabrielli avalia que o preço do petróleo vai se manter elevado pelos próximos quatro a cinco anos, variando entre US$ 80 e US$ 120 o barril. "É uma realidade definitiva", diz ele.

Segundo Gabrielli, a estatal não tem outro caminho senão continuar investindo na Bolívia, apesar da instabilidade no vizinho. "A Bolívia representa hoje 50% da oferta de gás no Brasil. Você quer parar São Paulo? Nós não queremos também; então precisamos do gás da Bolívia." Para Gabrielli, não houve interferência política no reajuste dos combustíveis, que ficou quase três anos congelado apesar da forte alta do petróleo: "É importante discutir com o governo os impactos macroeconômicos", defendeu.

A seguir, trechos da entrevista na última terça-feira em seu gabinete, em Brasília, antes de a estatal confirmar nova descoberta na bacia de Santos.


FOLHA - O presidente Lula disse há poucos dias que, em breve, haverá eleição direta para presidente da Petrobras e ele indicaria o novo presidente do país, tentando dimensionar a importância da estatal no futuro. Que futuro é esse?

JOSÉ SERGIO GABRIELLI - Nós somos uma empresa que tem, talvez, uma perspectiva de crescimento da produção de petróleo e de gás maior do que a de todas as empresas do mundo. Isso antes das descobertas que fizemos nas áreas de Tupi, do pré-sal. Mais importante que o crescimento da produção de petróleo é que nós temos a perspectiva de crescer no refino, estamos construindo neste momento duas refinarias [Comperj e Abreu Lima] e podemos construir uma terceira e uma quarta refinarias até 2015. Teremos 15, hoje temos 11.

FOLHA - Quais são essas novas?


GABRIELLI - Estão em construção a refinaria de Pernambuco, o Comperj (RJ), uma refinaria petroquímica, e estamos fechando os estudos de uma refinaria premium, provavelmente no Maranhão. Uma refinaria para a produção de diesel de alta qualidade, gasolina de altíssima qualidade, voltada mais para a exportação, aproveitando a localização para exportar para Estados Unidos e Europa.


FOLHA - Pesa aí o fato de o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ser do Maranhão?


GABRIELLI - É uma coincidência positiva, mas não é uma escolha porque ele é o ministro, nem deveria ser uma decisão de não ser lá porque ele é ministro. É tecnicamente adequada pela localização estratégica.


FOLHA - Então por que os preços não param de subir?


GABRIELLI - Porque as expectativas passam a ser mais relevantes. Com taxas de juros baixas, os agentes financeiros vão para cima do preço do petróleo. Virou uma aplicação financeira que você ganha na volatilidade. Nossa expectativa é que o preço permaneça alto, com enorme volatilidade.


FOLHA - Em que patamar, US$ 100 o barril?

GABRIELLI - Numa faixa maior de variação, talvez entre US$ 80 e US$ 120, nos próximos quatro a cinco anos. É uma realidade definitiva. Preço de petróleo barato dificilmente teremos num horizonte visível de quatro a cinco anos.

FOLHA - Há previsão de quando um dos megacampos poderá produzir?


GABRIELLI - Perfuração, já estamos fazendo. Produção, em Tupi, num teste de longa duração, de 20 mil a 30 mil barris por dia, a partir de março de 2009, para testar fluxo, capacidade de produção, coletar dados, que leva de seis a oito meses. Em finais de 2010, devemos iniciar o projeto piloto de Tupi, com 100 mil barris por dia.


FOLHA - Com os investimentos em refinarias, quando o Brasil terá auto-suficiência propriamente dita?


GABRIELLI - Se tivermos essas refinarias em 2015, seremos provavelmente auto-suficientes, se a nossa projeção de demanda se confirmar.


FOLHA - Em quanto vai aumentar a capacidade de refino?

GABRIELLI - Temos hoje capacidade de 1,9 milhão de barris por dia. Deveremos ir para alguma coisa próxima de 3,6 milhões. Os nossos problemas principais são diesel e nafta.
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COMENTÁRIO DO BLOG: A próxima batalha midiática em larga escala no Maranhão terá mais uma vez como tema principal o senador José Sarney, tentando passar para todos que foi ele quem conseguiu uma refinaria para o Maranhão. O ministro certamente confirmará, mas dividirá os louros da instalação da refinaria entre Sarney e ele próprio. O Lula entrará de coadjuvante na história. Porém, faltou combinar com Sergio Gabrielli, o presidente da Petrobras, que, na entrevista não deixa dúvidas de que ser a instalação na terra do ministro, uma “coincidência positiva”, como diz claramente. Diz mais: que a refinaria vai produzir gasolina leve e diesel para exportação, aproveitando a localização favorável para exportar o produto para os Estados Unidos. Quando fizemos o projeto e lutamos no ministério das Minas e Energia e na Petrobrás pela decisão, sempre nos disseram que tivéssemos calma porque fatalmente o Maranhão teria a sua refinaria, pela sua localização e pela profundidade do seu porto, que pode receber os maiores navios do mundo em operação.

Mas Sarney, que tanto impediu a decisão por São Luís e que quando foi presidente da República, não moveu uma palha para realizar uma aqui, agora vai tentar se apropriar dessa decisão da Petrobras e do Lula. O presidente, inclusive, já havia dito ao governador que tinha decidido dar a refinaria ao Maranhão.

Sarney é capaz de pedir ao Lula para dar os méritos a ele. Faz parte do estilo.

Um comentário:

renata disse...

Concordo plenamente,Sarney e derivados vão tentar tirar proveito desse fato,e o usará como carta chave para a recandidatura de Roseana.Que os deuses nos ajudem!